Meditação

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Meditação

MariaHD
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Meditar é o início de um esforço para controlar a mente, treiná-la para servir ao indivíduo e não ao contrário. Só através da meditação podemos perceber (e, depois, apaziguar) o fluxo de pensamentos, quase sempre sufocantes que, de tão acostumados, já nos parece normal. É para libertar a mente dessa tormenta de pensamentos incontroláveis que se destina a meditação.

Quando uma pessoa inicia a prática da meditação, costuma ter a impressão que seus pensamentos nunca estiveram tão desenfreados. Porém, isso mostra justamente o contrário, isto é, que o praticante está conseguindo produzir um certo distanciamento e percebendo o quão agitados sempre foram seus pensamentos. O que quer que surja, enquanto medita, não encare como um desafio ou problema. Somente deixe que o pensamento venha e da mesma forma se vá. Não importa o que se perceba pensando: simplesmente não o alimente, não lhe dê extrema importância, ou seja, não se apegue.

O principal é ter a consciência dos benefícios da prática da meditação. A mente só pode receber a realidade quando está em absoluta tranqüilidade, nada exigindo, nada ansiando, nada pedindo, quer para si mesma ou para os outros. Com a mente tranqüila, cessamos com o desejo e então despontamos para a realidade.

De suma importância é não cometermos equívocos na prática de meditar. Meditação não é concentração. Embora seja comum, métodos meditativos como se concentrar em uma música, quadro, palavra ou qualquer outro subterfúgio, devemos saber que isto não pode ser considerado como meio de meditar. Quando se concentra em algo desse tipo, não se está meditando e sim fixando a mente em um processo de exclusão. Com isso, despende-se uma energia desnecessária na tentativa de excluir, de desviar, expulsar os pensamentos invasores, que se multiplicam enquanto há um esforço para “se concentrar”.

Meditação é compreensão. Compreender significa dar o significado e o valor correto a todas as coisas. Somente quando compreendemos alguma coisa é que nos libertamos dela. E uma meditação eficaz deve ser a que nos traz clareza e liberdade. Meditar é um processo de auto-conhecimento, de investigação de si mesmo. Se não conseguimos nos compreender, como conseguiremos entender a realidade? Um ser que não busca se compreender está destinado à confusão e à ilusão, que são geradoras de sofrimento. A meditação desperta no indivíduo a realização de como a natureza de tudo é ilusória, semelhante ao sonho. Assim, o começo da meditação é estar cônscio do modo como atuam os pensamentos e os sentimentos, podendo dar-lhes a importância correta, sem perda de tempo ou energia. Essa mente superficial, que está ocupada com as tarefas diárias, precisa compreender o significado real de cada coisa e, por si própria, produzir a tranqüilidade e quietude, através da prática disciplinada da meditação. Ela é o meio de transcendermos as ilusões do plano terreno. O primeiro estágio para alcançarmos o estado de um ser desperto. O caminho para a iluminação.

Os exercícios devem ser feitos diariamente pelo menos durante alguns minutos, introduzindo-se-os gradualmente (por exemplo, de mês em mês) na ordem dada, pra disciplinar a mente e auxiliar na evolução da meditação, ajudando no auto controle e observação:
1. Controle do pensamento. Trata-se de se concentrar o pensamento em algo bem simples do mundo real, podendo ser um objeto como um lápis, um alfinete, um sapato, etc. Deve-se pensar em tudo o que diz respeito ao objeto escolhido, e evitar todo o pensamento que não diga respeito direto ao mesmo. Pode enfocar aspectos como quais as partes que compõem o objeto, as formas do mesmo, os materiais de que é feito, quando o objeto foi inventado, seus usos, etc., e recomenda particularmente que se faça esse exercício sobre objetos artificiais, que são fruto do pensamento humano e podem ser totalmente compreendidos. Quem pratica esse exercício percebe como nosso pensamento tem asas, querendo voar por paragens que não pretendíamos visitar. É necessário continuamente forçá-lo a voltar ao tema central escolhido.
2. Controle da vontade. Trata-se de tomar uma decisão de realizar algo fisicamente, e cumpri-la. Assim, em lugar de se ser dirigido por eventos exteriores, executa-se algo por decisão exclusivamente própria. Para isso, é importante escolher uma ação que não tenha nada com a vida normal. Um bom exercício, é decidir-se executar no dia seguinte uma ação trivial; podemos citar, nesse sentido, ações como rodar um anel no dedo, ou o relógio no pulso, ou olhar para as nuvens, ficar nas pontas dos pés, etc. Esse exercício deve ser feito sempre em momentos determinados do dia, tais como uma certa hora (não é preciso ser exato ao minuto), logo ao acordar, antes de uma refeição, ao abrir a porta de casa, etc.
3. Serenidade nos sentimentos (eqüanimidade). É importante para a meditação posterior que a alma adquira serenidade, tornando-se soberana em relação ao prazer e à dor. Não se trata de não se sentir sentimentos profundos, mas sim que eles não nos coloquem fora de controle. Isto é, devemos ter sentimentos, mas não deixar que eles nos "tenham". Exemplos de perda de controle são entrar-se em desespero, chorando copiosamente, ou ficar fora de si de alegria. Mas também é importante evitar sentimentos ligados à futilidade, raiva, etc. Trata-se de se conscientizar dos próprios sentimentos, devendo ser praticado sempre que tais manifestações possam ocorrer.
4. Positividade. Trata-se de encontrar em qualquer situação o que é belo ou bom, no meio do que é mais feio ou maldoso. De fato, não há praticamente nada no mundo que seja 100% feio ou mau. Chama se a atenção para não se cair em falta de discernimento, confundindo o mau com o bom, e sim reconhecer que sempre há um lado bom em tudo, por menor que esse lado seja.
5. Abertura (receptividade) e imparcialidade. Deve-se sempre estar aberto a todas as novidades, por mais absurdas que possam parecer. A atitude correta é dizer-se "parece estranho, mas vou investigar", eliminando-se preconceitos. É possível sempre aprender-se algo de novo "de cada sopro de ar, de cada folha". Não se deve ignorar experiências passadas; por outro lado, deve-se sempre estar pronto a adquirir novas experiências.
6. Harmonização. Os 5 exercícios anteriores devem ser praticados adicionando-se um a um paulatinamente; cada novo exercício deve ficar em destaque, sem que se abandonem os anteriores. Quando eles tornarem-se parte do dia-a-dia do praticante, deve-se procurar produzir um equilíbrio entre eles, a fim de que passem a fazer parte de nossa própria natureza.
a) Meditação sobre objetos físicos com conteúdo espiritual. Um exemplo desse caso é observar-se uma semente e, mentalmente, imaginar-se como ela germina com a umidade, começa a crescer, forma seu caule, ramos e folhas, talvez flores e frutos, e acaba perecendo (ver esse exemplo na seção "Controle dos pensamentos e sentimentos" do capítulo "Os graus da iniciação" do livro de R.Steiner Como se Adquirem Conhecimentos do Mundos Superiores, Ed. Antroposófica, 1996; o título dado pela editora não contém o "se Adquirem", presente na versão original em alemão). Cremos que o ideal é ter-se acompanhado esse processo num caso concreto, como por exemplo um feijão, deixando-se-o germinar sobre algodão com água, depois plantar o germe em um vaso e acompanhar o crescimento. Assim a imaginação tende a se ater o máximo possível à realidade. Esse processo evolutivo de uma planta não se dá por causas puramente físicas; esse exercício mental coloca a pessoa em contato com a realidade não-física. Além disso, sai-se de nossa percepção sensorial que é sempre instantânea e parcial.
b) Meditação de textos. Trata-se de repetir-se interiormente, com absoluta concentração (como no exercício colateral 1 acima – a diferença é que nesse último caso concentra-se mentalmente sobre um objeto do mundo real) um texto que contenha algo de espiritual que, idealmente, deve ser compreendido. Vários versos de Rudolf Steiner prestam-se muito bem para isso. Fundamental nesses exercícios é deixar o texto ressoar interiormente, sentindo-se os sons das palavras e acompanhando os pensamentos com sentimentos.

Muito amor e muita paz,
Maria HD